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terça-feira, 10 de maio de 2011

A CASA DE BONECAS

A CASA DE BONECAS

Eveline de Paula por Filipe Matias



"Ter em mãos uma boneca é tornar-se deus de algum mundo. Ter em mãos uma boneca é ter possibilidades... Possibilidades de criar o que se quiser criar. É ter a chance de viver, mesmo que burramente, e por apenas frações de tempo, uma vida de encantamento.  Ganhar uma boneca satisfaz o desejo de toda a gente de dominar alguém, de moldar uma personalidade, que nesse caso, pode ser modificada sempre que se achar necessário. Brincar de boneca é, pois, o exercício do egocentrismo.
Já pensou como pode ser triste a vida de uma boneca? Jogada de um lado para outro, sempre de olhos arregalados no meio de tanto querer. Cortam-lhe o cabelo, pintam-lhe a cara, rasgam-lhe as roupas, arranham seu corpo... E é justamente quando começa a mostrar sua beleza, enchendo-se de histórias e cicatrizes é que a deixam de lado. Logo a substituem por outra, tão fria e calada, quanto era. Da caixa de brinquedos para o porão... É no ambiente habitado pelo passado que a boneca cresce. Agora uma boneca para adultos e não mais para crianças. Deixa de ser brinquedo para brincar de ser ela mesma. A boneca se constrói (ou desconstrói?), se costura, se despe, zomba dela mesma. Não é mais ingênua, doce e pura! Jogada ao relento ela seduz, perverte, brinca de ser mulher".
                                                                         ( Texto de EDUARDO REIS, Jornalista)


"Ser boneca é viver no imaginário...E' ser nada além de criação, e por tanto é ser divino! Mas retratar a contrariedade de ser o desejo de outro e ao mesmo tempo ser a construção e descontrução de si mesmo é humano! Adulta , má, perversa essencia(ao dissimular a sensualidade nata) e ainda assim objeto de desejo...Assim é esse ensaio! Delicioso desde a construção."

                                                                     (Texto de GEANI ABREU, Jornalista)





 " A essencia do ensaio foi retratar a contraditoria e encantadora mistura de pureza com seducao. Mostrar a beleza da evolucao de um personagem angelical para uma mulher de postura adulta e sensual foi minha proposta principal"
                                                                     Filipe Matias
























 





 


Ficha tecnica
Fotografia: Filipe Matias
Modelo: Eveline de Paula
Producao e Visagismo: Filipe Matias
Cenografia: Filipe Matias e Yure Mendes
Figurino: Filipe Matias
Pecas Metalicas: Yure Mendes


quinta-feira, 28 de abril de 2011

A BELEZA GENUINA

Adestrando o Olhar
 ENTREVISTANDO os Alunos do EJA_ Ed. Jovens e Adultos


Desde pequeno tive uma atracao muito grande pela beleza. No inicio era inconsciente, as brincadeiras e amenidades de crianca sempre estavam acompanhadas por um desprendimento muito grande da minha atencao para o que era belo. Primeiro foram os lapis de cera que alem de serem usados para colorir eram esculpidos e viravam pecas de xadrez, depois fui comecando a transformar qualquer coisa que eu encontrava em algo utilizavel ou decorativo, logo dava de presente. Era assim que eu fazia amigos. Com o tempo comecei a enxergar o belo de maneira mais ampla. Fui me apaixonando aos poucos por diferentes formas de beleza. Primeiro foi a filha da vizinha, que era loira dos olhos azuis e eu achava aquilo o auge do espetaculo, um exemplar europeu em terras pardas e negras. Depois foi a filha da outra vizinha, nao tao estonteante mas muito charmosa e mais velha. Depois fui crescendo e observando  a beleza nas relacoes humanas. E ate hoje 'e nela que eu me inspiro para criar arte. 
A menina mais velha que tinha um carinho enorme pelo pirralho que batia na porta da casa dela so' pra dar um anelzinho feito com fios desencapados de cobre, a mulher que cozinhava algo gostoso e sempre lembrava de mandar um pouco para alguns vizinhos provarem... Meus amigos que batiam a minha porta com a pergunta: vamos brincar?...

Coragem (do latim coraticum) é a habilidade de confrontar o medo, a dor, o perigo, a incerteza ou a intimidação. Uma pessoa corajosa é uma pessoa que, mesmo com medo, faz o que tem a fazer. Pode ser dividida em física e moral.

 De alguma maneira o trabalho que fiz com o grupo de jovens e adultos que retornaram a sala de aula me remeteu a essas memorias. O que 'e beleza? Estamos realmente acostumados a lidar com uma beleza genuina?
Meu trabalho esta completamente ligado a estetica. Modelos perfeitas, peles hidratadas, cabelos impecaveis, maquiagens, cilios posticos, ternos e roupas elaboradas...
Quando tive a oportunidade de entrar em contato com esse grupo de pessoas observei uma beleza com a qual tinha perdido o contato.
Homens e mulheres que viveram a vida inteira `a margem de uma sociedade letrada que perceberam que ainda tinham tempo para aprender. 

O sofrimento de nao ter acesso a leitura e depender de outras pessoas para atividades comuns cotidianas esteve presente em toda a vida deles. E mesmo assim os sorrisos nao tinham dificuldade alguma em aparecer durante o tempo que passamos juntos. 
Cheguei na escola sem roteiro algum. Nao sabia o que iria perguntar nem qual seria minha estrategia para deixa-los a vontade e conseguir fazer as fotos que havia idealizado previamente.
As professoram com as quais tive contato antes do encontro com os alunos haviam avisado a eles que eu iria naquele dia, assim, meu primeiro contato visual foi de mulheres penteadas, cheirosas e terminando de se maquiar. Resultado, mal me apresentei e ja estava com a maquina fotografica colada na cara e com os dedos nervosos. 

Os senhores estavam extremamente tranquilos. Pareciam estar curtindo mais  do que a ideia de serem fotografados o fato de poder ver as "colegas de classe" numa situacao tao atipica.
 

 A naturalidade com que as perguntas e expressoes foram surgindo durante o processo foi impressionante. O que eu mais me impressionei e emocionei foi o desprendimento daquelas pessoas em aceitarem contar fatos tao particulares de suas historias de vida. Eles estavam realmente dispostos a compartilhar suas cicatrizes e rugas comigo, e o mais bonito de toda a situacao foi conseguir enxergar, mesmo que contraditoriamente, uma beleza genuina nessas rugas e cicatrizes.


Minhas curiosidades, tipicas de um jovem alfabetizado e de classe media foram aos poucos sendo esclarecidas. A bagagem emocional que cada um me mostrou foi uma das inspiracoes para a criacao do video. Uma experiencia que sem duvida foi um soco na boca do meu estomago, mas que nao doeu. Um choque de realidade que deixou minha alma um pouco maior. Sem duvida algo que eu gostaria muito de compartilhar com meus amigos e leitores: